Hoje falo EU!

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HOJE FALO EU – Capítulo 6. Nuno Lobo

Apresentamos hoje o actual capitão, que fica aqui encarregado de dar votos para 2017 e dar o seu ponto de vista do que viveu nos Lusitanos, dá-lhe Lobo!

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Estamos em época festiva, na qual é habitual falar-se mais sobre a importância da família na vida de cada um e desta vez sou eu que falo sobre uma família que tenho em Barcelona, que são os “Gandas Lusis”.
Tive a sorte de fazer parte da primeira equipa dos Lusitanos e ver como esta família se foi criando, crescendo e solidificando. Algures em Março de 2010, um dos nossos Alentejanos preferidos (Nuno Margalho) convidou-me para aparecer num treino da equipa que se estava a formar. Lembro-me que nos primeiros treinos em que apareci ainda não sabíamos os nomes uns dos outros, por isso o Hugo (o nosso eterno “Presi”) punha-nos a fazer um exercício que consistia em dizer o nome da pessoa a quem íamos passar a bola para irmos memorizando com mais facilidade. Esses tempos já lá vão. Não só sabemos os nomes, como ainda sobra espaço na memória para as alcunhas (alguns com mais do que uma).

Já foi dito entre nós mais do que uma vez, que o grupo que se formou é excelente e nunca é de mais repeti-lo. Dentro do campo às vezes o futebol não flui da melhor maneira, mas já se viu que juntos somos imparáveis noutras áreas: pistas de neve, bares, discotecas, Can Caralleu, montanha, praia, enfim toda uma polivalência que tem de se aproveitar da melhor maneira e que contribui bastante para a continuidade dos Gandas Lusis.
Em 2011 tomei a decisão de voltar a Portugal e tinha a perfeita noção que uma das coisas de que iria sentir imensa falta era deste convívio, tanto dentro como fora das 4 linhas, o que se confirmou plenamente. Inicialmente através dos e-mails de grupo e mais tarde através do whatsapp (as conversas do nosso grupo de whatsapp davam um livro) fui sempre mantendo contacto com os Lusis e sempre que voltava de férias dava-me muito gozo poder fazer uma perninha pela equipa, ou apoiar desde a bancada.

Em 2014 decidi regressar a Barcelona e, como não podia deixar de ser, voltar a jogar pelos Lusitanos. Estava-se a atravessar uma certa crise (falta de “jegadores” e de resultados) e senti alguma preocupação porque havia bastante desânimo e havia o risco de a equipa desaparecer. Foi então que nos reorganizamos numa célebre reunião no The Room, que até teve participação via Skype do ” eterno capitão” Norberto. A partir daí foi feito um excelente trabalho que teve como resultado melhorias exibicionais, de resultados e o grupo voltou a crescer. Infelizmente todos os anos há gente a sair (que fazem sempre falta), mas com bons reforços temos conseguido manter um grupo grande e unido.

Uma das coisas que às vezes ouvimos, dos novos integrantes, é que temos a fama de ser um grupo difícil de entrar. Entendo essa perspectiva na medida em que, como qualquer família, temos uma dinâmica muito própria e à primeira vista pode assustar. Mas basta um pouco de paciência e persistência para perceber e fazer parte dessa dinâmica.
Para além de fazer grandes amigos, jogar nos Lusitanos deu-me oportunidade de pela primeira vez jogar futebol 11, aos 30 anos. Continuo a preferir jogar futsal, mas tem sido uma excelente experiência jogar futebol 11 e poder dar o meu contributo à equipa. Como a carreira de jogador são cerca de 18 anos, posso jogar até aos 48 tranquilamente 🙂
Em jeito de balanço do ano, foi uma grande satisfação ter conseguido pela primeira vez subir à 1ª divisão da Liga em que participamos. É a nossa sétima participação e acredito que para todos os que estão desde o primeiro ano (ainda há uns quantos) deu um gozo especial este feito. O próximo ano vai ser desafiante e duro, mas se há coisa que aprendi é que os Lusis nunca se deram bem com facilidades, assim que venha 2017, estamos preparados!
Um Feliz 2017 para todos em especial para os “Lusis pelo Mundo”

Carrega Lusitanos!!

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HOJE FALO EU – Capítulo 5. Ricardo Pereira

Já cá tivemos nesta rubrica o eterno “presi” Hugo, mas hoje fala o atual presidente. O “Levezinho” Ricardo assumiu o comando dos Lusitanos para continuar e mostrar aos novos o espírito pelo qual este clube foi fundado

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A minha paixão pelo futebol sempre foi, e continuará a ser, um elemento muito importante na minha vida, e que sempre me ajudou a fazer novos contactos e amizades por onde passei: escolas, empresas ou até mesmo outro país… e não foi diferente quando tomei a decisão de sair de Portugal e decidir viver em Barcelona. Ainda me lembro perfeitamente do momento em que vi o anúncio do Hugo Sarmento (antigo presidente e um dos elementos fundadores do FC Lusitanos de Barcelona) na página do Consulado de Portugal em Barcelona. O Hugo estava nessa altura numa difícil missão de recrutamento de jogadores portugueses para constituir uma equipa e competir numa liga amadora de futebol 11, aqui em Barcelona. Apesar de já nessa altura jogar com colegas de trabalho, quer num torneio interno (futebol sala), quer num torneio inter-empresas (futebol 7), a empresa onde trabalhava que organizava/participava, essa iniciativa chamou-me logo a atenção. Primeiro porque poderia ter a possibilidade de jogar futebol 11, algo que nunca tinha feito, mas mais importante ainda, era a ideia base que servia de motivo para a constituição do que viria a ser o FC Lusitanos de Barcelona: a de criar um espaço de convivio lusitano, fazer novos contactos e amigos, ajudando na integração de pessoas que partilham a mesma nacionalidade e que tinham decidido sair de Portugal à procura de um melhor futuro. Tudo isto acompanhado de futebol! Ora mais identificado não poderia ter-me sentido quando vi esse apelo, e senti que tinha de fazer parte desse grupo.

Olhando agora para trás, desde os primeiros treinos de futebol 11 em fabra i Puig, o primeiro jogo do FC Lusitanos da liga da BIFL (em que entrámos de pé direito e ganhámos!), os diferentes companheiros que fizeram parte da equipa ao longo destes já 6 anos, sinto um enorme orgulho! Orgulho em fazer parte de um projecto no qual me identifico a 100% e por todas as amizades que fiz e que seguramente continuarei a fazer. Desde esses primeiros tempos, muita coisa aconteceu e muita coisa mudou, menos o espirito de amizade e camaradagem. Esse sim, mantém-se igual e inigualavel. E sei-o porque por motivos profissionais vivi em Madrid durante 1 ano e meio e quando finalmente regressei a Barcelona e à equipa, foi como se nunca tivesse estado fora, apesar das muitas caras novas que encontrei.

Tal como qualquer projecto/iniciativa/grupo/equipa que começa do zero, também já tivemos os nossos momentos menos positivos. Mas soubemos superá-los e acredito sinceramente que saímos sempre mais fortes. Como equipa, fomos capazes de dar a volta por cima, organizando-nos melhor, com um compromisso reforçado para com a equipa e com uma ambição cada vez maior. Não deixamos de continuar a ser uma equipa amadora, em que praticamente todos os custos que temos anualmente são assumidos por todos os elementos da equipa, sem excepção. Por esse mesmo motivo, o FC Lusitanos depende sempre de cada uma das pessoas que constitui o grupo. Mas para mim, tem sido espectacular ver a mudança de atitude da equipa desde então! Sentir a vontade de todos em quererem fazer cada vez mais e melhor tem sido para mim a principal motivação e orgulho por estar à frente desta equipa. Acredito sinceramente que teremos muitas alegrías nesta temporada 2016/2017 e que poderemos fazer algo histórico na nossa ainda curta história. Espero voltar a escrever nesta rubrica, em finais de Maio de 2017, para partilhar os nossos feitos da temporada!

Aproveito para mandar um abraço a todos os Lusis espalhados por esse mundo fora e que nalgum momento fizeram parte da equipa, bem como a todas as pessoas que directa ou indirectamente contribuiram e ajudaram a nossa equipa: “Uma vez Lusitano, para sempre Lusitano

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HOJE FALO EU – Capitulo 4. Tiago Dias

O “convidado” a falar hoje é também um ex-lusi, o último que nos “abandonou” já este ano para regressar ao seu Alentejo natal. “Abandonar” apenas no espaço terrestre, o Tiago tal como todos que passaram pelos Lusitanos continua bem próximo de nós.

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Um Alentejano separado por 1100 km do seu Alentejo faz uma busca no Google….e quem diria que esse simples gesto iria dar naquilo que foram 5 grandes anos com a camisola dos Lusitanos, uma equipa de futebol, um grupo de amigos, uma família.

Um treino por semana, jogo no sábado, muitos jantares, muitas noitadas, muitas histórias que para sempre vou recordar. Uma parte da minha historia, que vou com orgulho, contar aos meus filhos.

Barcelona é uma cidade que tem tudo, que tem muito para ver e que por muitos anos que por lá se viva, irá sempre descobrir algo novo, mas se não conhecer os Lusitanos não vai ser a mesma coisa ….é o mesmo que ir a Paris e não ver a Torre Eiffel.

Tive o prazer de entrar nos Lusitanos, no seu segundo ano de existência e no meu segundo ano em Barcelona e o único que me chateia é não ter feito a pesquisa no Google logo assim que me mudei para Barcelona, ou então, ter, num café qualquer por Sant Cugat, tropeçado no Nuno Margalho, também ele um alentejano de gema e da mesma cidade (Portalegre) e que já fazia parte da equipa.

É verdade quando no princípio deste texto digo, que os lusitanos são um grupo de amigos, uma família…todos os que vestiram esta camisola e tiveram o prazer de pertencer a este grupo sabe o que digo. Mais que uns pontapés numa bola, uns gritos bem portugueses dentro de campo, entre vitorias e derrotas é sabermos que estando longe do nosso país, existe aí um grupo que ajuda a preencher esse vazio.

Quando tomei a decisão de regressar para Portugal, a primeira coisa que me veio a cabeça foram os Lusitanos equipa, grupo de amigos, família… foi saber que estava a pôr um ponto final num dos melhores momentos da minha vida.

Muito grato a quem criou os Lusitanos e a quem com muito trabalho nos foi mantendo vivos. Continuem porque os campos da BIFL precisam dos Lusitanos.
Obrigado pela forma como receberam este alentejano, que hoje vos espera com saudades.
Uma vez LUSITANO para sempre LUSITANO

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HOJE FALO EU – Capitulo 3. André Miranda

O nosso ex-preparador fisico actualmente a viver em Miami, é o proximo “convidado” do Hoje falo eu!


Depois do eterno Presidente e do eterno Capitão, é a vez do eterno gajo mais sexy dos Lusitanos escrever este curto texto, cheio de saudades.

Vou começar por contar um episódio recente.
Há uns dias fui jogar futebol 5 com uns colegas de trabalho de um amigo, éramos de vários países: França, Brasil, Itália, Espanha e Portugal (refiro os países para melhor entenderem o “poder” do FC Lusitanos). Jogamos com 32 graus Celsius e muita humidade, depois de 20 minutos já só pensava na cerveja que merecidamente ia beber no fim do jogo…. Acaba o jogo, chega o tão aguardado momento, dirigimo-nos ao bar do campo e digo à Malta: “quantas cervejas peço?”, espero uns segundos e ninguém diz nada… Pregunto um a um e ninguém quer… Preferem Gatorade ou cenas dessas… Foda-se! Mas o que é isto?! Bem lá pedi a minha cerveja, e observava como todos iam embora, alguns com pressa para ver um episódio de Games of Thrones… E é assim.

Quando se está num país que não é o nosso, é normal que hajam hábitos culturais diferentes, e por isso é importante um grupo como o FC Lusitanos. E digo um grupo, porque, més que un club, os Lusis são um grupo de Malta muita porreira que joga bom futebol, bebe umas jolas e onde qualquer Luso se pode integrar facilmente. Nesta pequena história quis retratar precisamente isso, mesmo que estivesse a jogar futebol com pessoas culturalmente próximas (por isso mencionei as nacionalidades), não é o mesmo que estar em Portugal. E o FC Lusitanos tem esse “poder”: quando se está com eles é estar em casa. Por acaso o núcleo está em Barcelona, bastante próximo de Portugal, mas tenho a certeza que se o grupo estivesse na China, por exemplo, onde os valores culturais são realmente diferentes, quando se juntassem os Lusis era como estar em casa.

Pertencer a este grupo é ter alguém com quem dar uns toques, certo, mas também é ter um grupo de amigos que compartem a mesma identidade. É ter Malta disponível para, por exemplo, discutir a atualidade politica de Portugal, ou ajudar a subir um frigorífico enorme até ao 5o andar pelas escadas minúsculas dos edifícios em Barcelona. É ter Malta com quem beber uma cerveja (nunca é só uma) no fim do jogo.

Esse é o “poder” dos Lusis.
Um forte abraco,
Duc Miranda

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HOJE FALO EU – Capitulo 2. Norberto Leite

E se antes tivemos o nosso “eterno presi”, hoje temos o nosso “eterno capitão”, também ele a viver longe de Barcelona, atualmente vive em Nova York, mas a seguir de perto toda atividade do clube que ajudou a fundar

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Que raio de idea pode passar pela cabeça de um bando de “gajos” criar um clube de futebol amador, numa liga bastante competitiva, numa cidade tao interessante para explorar como Barcelona ?
O que é que pode ter de interessante a malta abdicar de um dia do seu merecido fim-de-semana para ir dar uns chutos na bola em vez de ir o dia todo para a praia, ficar a descansar no sofa ou dedicar-se a coisas mais ligeiras como bird watching (http://www.birdwatchingbarcelona.com/)

Porquê dar-se ao trabalho de fazer convocatorias, ir aos treinos, dar e levar sarrafadas, de outros marmanjos como tu, que nao tem mais que fazer do que ir para um campo da bola na esperança de levar para casa a gratificação de marcar mais golos que o adversario. E não é que haja esperança de sermos observados por um clube profissional nem nada do genero. Não, aqui não ha quem se dedique a isto profissionalmente, a malta paga mesmo para isto.

Mas não é so isto! Porque é que a malta fica danada quando fica no banco, quando não é convocado, ou no meu caso em particular, quando esta em Barcelona e não pode por algum motivo ir ao treino (mesmo ja la não vivendo faz uns bons anos).

Antes os FC Lusitanos existirem eu ja tinha entrado nestas andanças, de me dedicar a preencher os meus sabados com a prazer de jogar a bola por mera causa ludica (ou seja, não os posso culpar de nada). Mas depois de conhecer que o Hugo Sarmento andava a angariar tropas para uma temporada de Portugueses na BIFL nem pensei duas vezes. Se é para lutar que seja com os teus. E coisa não podia ter sido mais viciante. A partir daquele momento não so ajudei na construção de uma equipa de futebol mas tambem na criação de um grupo de amigos que terei sempre presente, nem que seja pelas mais 500 novas mensagens que tenho o prazer de ler todos os dias pelas manhas, mais ou menos relevantes com a practica do ludopedio (muito pouco se fala de futebol) que este grupo tem o prazer de nos brindar, a todos que fazemos parte do chat no whatsapp!

Enche-me o coração dizer que (mesmo estando do outro lado do oceano) que faço parte de um grupo genuino de amigos, que partilham um verdadeiro amor pelo futebol. Pelo seu futebol. Pelas suas equipas, mas mais importante que essas, pelo FC Lusitanos.

Mais do que o simples sentimento de camaradagem, este grupo de individos so pode ser definido como uma familia.
É neste grupo, com quem tive o prazer de lutar pelas vitorias e sofrer com as derrotas. Mas aparte dos meros acontecimentos futebolísticos saber que tenho, ate que o alzheimer me leve a memoria, dos melhores momentos que passei da minha vida na companhia deste bando de tarados que partilha, muitos a nacionalidade, mas o gosto absoluto de dar o melhor de si dentro de campo.

Não foram so Portugeses que por la passaram:
– Foram uns gemeos Suecos que pareciam balas com a bola nos pes
– Um Frances muito bom e outro muito mau mas com um dedicação irrepreensível – ambos chamados Thibaud
– Uns italianos que levam no balneario robe e secador de cabelo
– Um guarda-redes venezuelano doida do moina mas increvel entre os postes (não sempre, mas muitas vezes)
– E uns quantas mais aves raras como um catalão que era dj de reagee, desempregado ha anos mas que sempre arranjava forma de vir jogar
E muitos outros mais que ajudaram a que o FC Lusitanos tenha sido, e de certa maneira continua a ser, a minha familia estrangeira que tanto ajuda quando um esta longe dos seus.

Com muito prazer e ainda mais orgulho,
Capitão!

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HOJE FALO EU – Capitulo 1. Hugo Sarmento

Inauguramos uma nova rubrica no Facebook dos Lusitanos de Barcelona – Hoje falo eu – rubrica pensada em dar voz a todos os Lusitanos, as nossa Cronicas atualmente tem um enorme sucesso e pensamos em fazer algo parecido mas com outros intervenientes.
O primeiro a escrever é o nosso “presi”, fundador dos Lusitanos, Hugo Sarmento atualmente vive em São Carlos SP, Brasil onde é professor universitário.

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Cabe-me a honra de escrever a primeira edição do “hoje falo eu”, espaço de total liberdade de expressão individual proporcionado pelo FC Lusitanos de Barcelona. Já que me foi dada total liberdade para escolher o tema, escolhi falar sobre aquilo que nos une, a razão de existir do FC Lusitanos: o Futebol.

Porque tantas pessoas gostam tanto de futebol?
Primeiro é necessário definir futebol: existe o futebol desporto, e o futebol negócio, ao qual geralmente nos referimos como “o mundo do futebol”. Este “mundo do futebol” engloba muito mais do que 22 jogadores, uma bola, duas balizas, arbitro e bandeirinhas. Aliás, isso é o que menos importa, no “mundo de futebol”, já que se faltar algum jogador em uma das equipas haverão outros milhões que sonham entrar num campo de futebol como profissional.

Para mim, a resposta à minha pergunta pode ser encontrada algures nesse sonho que todos tivemos em algum momento das nossas vidas. Para jogar à bola não é preciso ter dinheiro nem nenhum talento especial. Qualquer um pode participar numa peladinha, basta um grupo de amigos e uma bola. Seria muito surpreendente uma criança não sonhar estar na pele de um jogador profissional, entrar num estádio cheio, jogar num relvado e fazer maravilhas. Se consigo fazer na minha rua, imagina se fosse num relvado perfeito!

Esta é a beleza do futebol desporto: um sonho acessível a todos!
Ver dois “inimigos mortais” como o Piqué e o Sergio Ramos festejarem golos e vitórias na seleção espanhola, ou ver o Marcelo fazer uma entrada viril no seu amigo inseparável CR7 num jogo entre as seleções de Brasil e Portugal, são episódios que demonstram a grandeza do futebol desporto.
Já o fato de sermos de uma ou outra equipa é totalmente aleatório. Pode ter sido influencia direta ou indireta de alguém, devido ao local onde nascemos ou simplesmente porque se gosta mais de uma cor do que de outra, já pensaram bem nisso?

A transferência de Luís Figo do Barcelona para o Real Madrid, independentemente da sua motivação, foi um grande exemplo para o futebol desporto. Imaginem o papel de otário do fanático que um dia aplaude de pé o jogador e na semana seguinte o insulta porque mudou para o clube rival. Luis Figo, Maxi Pereira, Jorge Jesus, Paulo Futre e tantos outros que mudaram para clubes rivais são a melhor demonstração de como o fanatismo é ridículo e sem lugar no futebol desporto. No futebol desporto não existem inimigos mortais nem fanatismos. No futebol desporto, hoje estás de um lado e amanha estás do outro. O importante é cumprir o sonho.
O fanatismo é um produto de marketing desse mundo do futebol, que cada vez mais vai tomando conta do futebol desporto. É uma estratégia de marketing que nada tem a ver com futebol desporto e que muitos não conseguem decodificar.

Enquanto esperamos que o novo presidente da FIFA nos traga de volta o futebol desporto, o melhor lugar no mundo para ver futebol de verdade é num campo perto de si, num jogo de futebol amador ou de divisões inferiores, como os jogos em que o FC Lusitanos participa.

Ao subir ao relvado cada fim de semana, o FC Lusitanos cumpre o sonho de criança que há em cada um de nós, e perpetua a grandeza do futebol de que tanto gostamos.

Algures no meio do oceano entre Portugal e Brasil,
1 de Março de 2016
Hugo Sarmento